sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Just thinking...

Pensar... "Só a muito custo consegue não fazê-lo e deixar viver todas as partes do corpo ao mesmo tempo."

(In "O Papalagui" de Tuiavu de Tiavéa - 1916)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eu já venho...

"Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falarem em mim, pessoas de quem gostei, pessoas que perdi, gente que tenho ainda. Não me parece que herdei muito dos meus pais, dos meus avós: algumas coisas mais ou menos superficiais mas lá no fundo nada. Princípios, claro. Regras. O resto, quase tudo, fiz sempre sozinho. E estive sozinho nos momentos mais difíceis da vida, que sofri na carne como um cão: aquilo que, destilado, aparece nos livros, que são o itinerário de uma aprendizagem e de uma dor, a certeza da vida redimir a morte, da necessidade da alegria, de uma paz intransigente conquistada a pulso. A humilde capacidade de admirar as pessoas, respeitá-las, que tanto tempo levei a conseguir. Olhar nos olhos o que um ano destes não serei. Custa-me a ideia de não escrever, um dia. Do mundo continuar sem mim. De perder corpos, calor: o que ganharei em troca? O meu pai foi-se embora há quatro anos: percebo hoje que existia entre eu e a morte, a defender-me sem saber que me defendia e que a partir de então, quando ela tocar à campaínha, é a minha vez de abrir a porta: não quero chegar à maçaneta a tropeçar, quero mostrar-lhe a casa limpa e pronta. Dizer a quem se achar ao meu lado
– Eu já venho
e descer as escadas. Não se incomodem, não se levantem: sou capaz de descer as escadas sem ajuda até vários palmos abaixo da terra. Espero que haja sol nesse dia, um arrepio alegre nas árvores. Não se incomodem que eu já venho..."

(Visao António Lobo Antunes, Quarta-feira, 30 de Julho de 2008)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Relatividade do ser humano...

TUDO o que ganhamos com a âmbição de sermos
os melhores,
os maiores,
os superiores,
os inesquecíveis,
os incomparáveis,
os insubstituíveis,
os (...),
é deitarmos TUDO a perder !

O Mar...

Compreendes o Mar?

A forma como se move?

Como avança e recua,

Tentando alcançar a areia seca?

Mas a água não é estática!

Pode mudar de estado...

Pode evaporar, chover e molhar a areia.

(14.11.2001)


Assim o disse e às vezes quase que me esqueço.
É difícil deixar de ser Mar... e passar a ser um pouco mais como o Rio.
Mas o Rio pouco tem a ver comigo: vive o presente, pouca importância dá ao passado e vive com determinação em relação ao futuro.
Sou mais como o Mar: vivo o presente, presa à recordação do passado e com sede de explorar o futuro.
Não sei se o futuro me espera, mas sei sempre que posso contar com aquilo que vivi e que já faz parte de mim... Como o fundo do Oceano que guarda em segurança milhares de tesouros que nele foram perdidos e muitos deles esquecidos...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Human nature...



Este vídeo levou-me a pensar que muitas vezes…:

1. Damos demasiada importância a coisas sem importância.

2. Tendemos a não ter consideração por aquilo que à primeira vista nos é indiferente… O que nos leva a não dar importância a coisas que são realmente importantes.

3. Julgamos as coisas pela sua aparência, esquecendo o que é que essa mesma “coisa” poderá representar para outras “coisas”.

4. Essas “coisas” com que lidamos são, na maioria das vezes, outras pessoas, sentimentos, emoções ou coisas que envolvam sentimentos e emoções de alguém.

5. Somos todos muito mais “alike” do que possamos pensar… Ao longo da vida somos sujeitos a situações que nos levam a concluir coisas semelhantes.

6. Poder-nos-íamos disponibilizar a dar mais ouvidos aos que "já concluíram antes de nós" e aprender um pouco com a sua experiência… But it just doesn’t work that way… Temos de aprender por nós próprios!

7. O desconhecido cria-nos dúvidas, receios, medos e...

8. ... Curiosidade! O que poderá ser "A MORTE DO ARTISTA!!!" Uhmmm... Isto poderá igualmente explicar o facto do ponto 6 não ser passível mesmo quando estamos dispostos a ouvir "aqueles que já tinham concluído antes de nós"... Too bad! :p

A Life time...

Life is precious,

Life is joy,

Life is bright,

Life is just the way we like.




Make a deal,

Have a blast,

Is it real?

Never mind... Just make it last.

domingo, 9 de março de 2008

Meaning of life...

Somehow we all search and sense our meaning of life but this one is quite interesting and significant for all of us... Yet, do not forget to find and give sense to yours...

sábado, 8 de março de 2008

Wordless...

Sem uma única palavra, mas com todo o sentimento...

"Ilhas dos Açores" - Madredeus

Dia Internacional da Mulher...

"Nasceu... é uma menina!"
Mas no segundo a seguir passa de "menina" a "bebé" e comentam:
"Tem uma linda bebé".
(Com o passar do tempo irás ter a possibilidade do saber o que significa ser "Menina".)


Parabéns!... Já com 12 anos! És uma mulher!
Mas no dia seguinte passa de "mulher" a "menina" e comentam:
"Ainda não tens idade para isso!"
(Com o passar do tempo irás ter a possibilidade de saber o que significa ser "Mulher".)

Num momento perdido no tempo e na confusão instaurada na nossa cabeça, num momento inderterminado ou apenas determinado pelo significado que cada uma de nós poderá lhe conferir, tornamo-nos então: Mulher!

Sem saber muito bem o que isso poderá significar, vamo-nos habituando à ideia, tentando descodificar emoções, sentimentos e significados. Vamos aprendendo a ser Mulher connosco e com os outros. Vamos aprendendo que existem contradições: o que pensamos, o que idealizamos e o que sentimos não corresponde muitas vezes ao que pensam, ao que idealizam e ao que sentem em relação a nós.

Querendo crescer e fazer desabrochar o sonho escondido, ao mesmo tempo que a pressão das pessoas que nos são próximas, (Mais que isso...) a pressão que se instaurou na Sociedade e que ainda persiste, a pressão que faz questão de permanecer embora mais dissimulada... acabamos por nos sentirmos, muitas vezes, sem saída ou tão pouco conscientes de que possa haver alguma, para que possamos ser aquilo que realmente somos e não aquilo que a Sociedade nos transmite ser (Tarefa dificil).

E sabem que mais?! A tarefa poderá ser bem mais simples do que possa parecer... A Sociedade não é mais que a soma de todos nós... Basta que todas nós mudemos a parte que nos diz respeito e aquela em que temos total controlo. Muitas mulheres já o conseguiram fazer: não a mudança da soma global, mas a soma de si mesma! Este terá de ser o ponto de partida.

A dita pressão social, só se apresenta como pressão se nos deixarmos pressionar. Como qualquer fobia: um medo apenas se apresenta como tal enquanto cedermos a ele e não invertermos a representação que temos sobre ele. Tal como com qualquer medo ou receio, a pressão social não deixa de ser uma decisão individual, que reside na existência, ou não, da força de vontade, da afirmação e da expressão voluntária.

Foi esta mudança de perspectiva que um grupo de Mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil levou a cabo, a fim de realizar um protesto a 8 de Março de 1857 em Nova Iorque. Teriam arriscado tudo o que tinham num momento em que a sociedade não lhe conferia qualquer segurança e protecção. Reivindicavam sobre as más condições de trabalho, o excesso de horas de trabalho diárias e os reduzidos salários. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas, pelo que a manifestação ficou por se concretizar.

Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a Mulher ocorreu em Copenhaga, na Dinamarca, dirigida pela Internacional Socialista, onde foi decidido, em homenagem a estas Mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo. Além desta manifestação pela luta dos Direitos Humanos (não é por acaso que não me refiro a Direitos das Mulheres!), muitas outras tiveram lugar e devido às quais milhares de Mulheres perderam as suas vidas.

Quantas mulheres não morrem por não verem os seus direitos humanos defendidos?
Quantas mulheres sofrem de violência ou abusos, sejam eles de orgiem sexual física ou psicológica?
Quantas mulheres não são abusadas sexualmente e assassinadas por soldados que deixam as suas familias para defender a sua pátria?


Quantas mulheres sofrem e morrem devido a distúrbios alimentares, que em muito se deve ao ideal de beleza imposto, que hoje são regidos pelos presentes padrões mas que amanhã serão certamente outros?
Quantas mulheres sofrem com a pressão social a que se deixam ceder?

Quantas mulheres não encontram o seu valor e a sua beleza interior porque a sociedade as ensina a olhar de fora para dentro e não o inverso?

Quantas mulheres não tiveram oportunidade de serem criadas com amor e carinho e que um dia lhes será apontado se não souberem ser mães afectuosas?

Quantas?!?

O meu sincero agradecimento a todas as MULHERES e os HOMENS que lutaram e morreram e aos que continuam a lutar por aquillo que milhares de Mulheres de hoje podem ser.
Continuemos a lutar por aquilo que somos e acreditamos...

Não esquecendo o que significa este dia:





Agradeço as palavras da minha amiga Isabel, que muito contribuiram para que hoje possa partilhar estes pensamentos neste post.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A mudança...

"Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir."
Séneca

É necessário, em primeiro lugar, reconhecer de onde vimos para que possamos definir para onde vamos. Não basta sabermos qual a nossa origem mas também aceitar o nosso passado, compreender o presente para, então, içar a vela no momento em que percebemos que o vento é favorável ao futuro por que perspectivamos.

A Vida ofer
ece-nos possibilidades, mas somos sempre nós que decidimos sobre elas. Uma vida sem escolhas resume-se a uma vida perdida em vão.

O que significa decidir?
Significa mudar, conhecer, explorar, arriscar, a possibilidade de Viver.

Viver não significa
apropriarmo-nos de coisas ou coleccionarmos situações de vida, que vulgarmente são tão desejadas pelos demais (como é o caso de fazer uma viagem ou ter condição financeira para pagarmos por qualquer serviço ou produto).

Em vez disso, Viver significa saborear os momentos: sejam ele a viagem por que tanto sonhamos, a fotografia do pôr-do-sol sobre o mar, uma paisagem, uma flor, um odor, um livro, uma música, um beijo, um olhar, um abraço, um sorriso, uma gargalhada, a inocência de uma criança... Tudo de simples que nos rodeia e que nos confere um sentimento de bem-estar interior quando lhes prestamos maior atenção. Então, porque é que nem sempre lhes damos a sua efectiva importância? Porque requer uma mudança!

Quem Vive em plenitude é aquele que consegue decompor a experiência, o momento e o contexto nos seus elementos mais simples: as sensações e os actos por que essas sensações são expressas.

Para o conseguir ter-se-á de optar pela mudança. Mudança essa que é interna a cada um de nós e que consiste na mudança de perspectiva e na capacidade de colocarmos as coisas em perspectiva, tendo em conta os elementos que compõem cada momento da nossa Vida.

Não será certamente fácil, pois a mudança coloca-nos num limiar de desconforto, com o qual até poderíamos ter evitado, mas dessa forma também estariamos a evitar Viver e no final, quando analisarmos o nosso trajecto, em vez de o sentirmos como uma VIDA preenchida e realizada, recordamo-la como um momento desperdiçado.

A mudança aconteceu.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O Significado...

Aconselhou-me em tempos o filme... tinha eu uns 22 anos. Para ser franca nada de novo me trouxera na altura. Não dei grande importância... e ainda bem. A indicação sobreviveu na minha memória. Há uns meses comprei o filme e mantive-o na prateleira a aguardar pelo momento (ou teria sido a adiá-lo? Penso que não... Tudo tem o seu porquê). Hoje, precisamente hoje, a mensagem foi-me entregue. Aqui vai:

A Vida deve ser vivida, saboreada a cada minuto com o espírito inocente e os olhos de esperança que outrora, enquanto crianças, tivemos, mas com o passar dos anos tendemos a perdê-lo involuntariamente. Digo involuntariamente porque não acredito que alguém deseje perder essa visão sobre a Vida mas, indubitavelmente, não a alimentamos de forma voluntária e essa visão acaba por carecer de alguns cuidados e... desvanece.

Algumas pessoas procuram alimentar essa visão por si mesmas, outras fezem-no por outros.

No filme "A Vida é Bela" de Roberto Benigni, o personagem Guido (excepcionalmente representado pelo próprio, Roberto Benigni) demonstra bem sobre aquilo a que me refiro.

Para quem ainda não viu o filme e esteja interessado em vê-lo, aconselho apenas que leia o resto do texto após o terem visto.

Guido procurou manter sempre uma postura positiva perante a Vida e com ela conquistava aqueles que o conheciam, nomeadamente a mulher por quem se apaixonou e com quem constituiu família. Perante as maiores dificuldades e adversidades que possam imaginar, que um pai e filho Judeu possam ter passado num Campo de Concentração, durante a II Guerra Mundial, este pai recria um cenário de fantasia para que o seu filho não perdesse a sua "visão" e continuasse a acreditar e a lutar pelo seu sonho e a Vida.

Obrigada pelo 1º prémio que me reservaste: o Significado da Vida. O resto terá de ser comigo... Obrigada pai.

Em vez de desejar por ter tido mais oportunidades de aprendizagem, desejo fazer uso das que me fizeste conquistar.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Encontra as sete diferenças...

Sensações...

"Sensação é reacção física do corpo ao mundo físico, sendo regida pelas leis da física, química, biologia (...) que resulta na activação das áreas primárias do cortéx do cérebro. (...) Vivência simples, produzida pela acção de um estímulo (externo ou interno: luz, som, calor, etc.) sobre um órgão sensorial, transmitida ao cérebro através do sistema nervoso." (In Weekipédia).

Quantas sensações experenciamos ao longo de um dia? Dezenas, centenas de sensações? Mais de que uma sensação de uma só vez? Umas seguidas das outras? E quando uma sensação nos agrada? Tendemos a procurar mantê-la, ou pelo menos conferimos-lhe mais atenção (tanto a ela como às emoções e aos sentimentos que dela provêm). Com a experiência de diferentes sensações é comum recordarmo-nos de imagens, episódios, cheiros, sons, palavras... Podemos igualmente procurar (re)viver sensações. Mesmo sem darmos conta, quase tudo o que fazemos de forma intencional ou não procura a satisfação de necessidades.

Proponho um exercício para saborearem as vossas sensações (funciona comigo):

- Escolham um local confortável;

- Seleccionem um conjunto de músicas para ouvir (no sistema de som que tiverem no quarto, no vosso mp3, whatever…);

- Apaguem as luzes e apreciem a música confortavelmente (quanto mais escuro estiverem mais facilmente se deixam “transportar”);

- Sem qualquer outro estímulo exterior, para além do da música, sentimo-lo de forma intensa. Conseguimos escutar particularidades da música a que habitualmente não estamos atentos ou receptivos;

- Aumentem o volume e sintam como a música vos preenche... Desfrutem..

Desta forma, construímos um espaço em que o tempo é relativo e o que sentimos também. Podemos procurar sensações que nos tenham marcado, viajar no tempo e recordarmo-nos de momentos especiais. Ou podemos, por outro lado, criar um espaço para procurar sensações novas e projectar sonhos.

Habitualmente, prefiro apenas sentir a música. Sinto-me de tal forma preenchida por ela que mais nada tem lugar em mim. Trata-se de um momento de relaxamento e, ao mesmo tempo, de emoções fortes, conforme o que procuramos… ou encontramos. Mas acima de tudo, é sempre uma viajem agradável.