sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher...

"Nasceu... é uma menina!"
Mas no segundo a seguir passa de "menina" a "bebé" e comentam:
"Tem uma linda bebé".
(Com o passar do tempo irás ter a possibilidade do saber o que significa ser "Menina".)


Parabéns!... Já com 12 anos! És uma mulher!
Mas no dia seguinte passa de "mulher" a "menina" e comentam:
"Ainda não tens idade para isso!"
(Com o passar do tempo irás ter a possibilidade de saber o que significa ser "Mulher".)

Num momento perdido no tempo e na confusão instaurada na nossa cabeça, num momento inderterminado ou apenas determinado pelo significado que cada uma de nós poderá lhe conferir, tornamo-nos então: Mulher!

Sem saber muito bem o que isso poderá significar, vamo-nos habituando à ideia, tentando descodificar emoções, sentimentos e significados. Vamos aprendendo a ser Mulher connosco e com os outros. Vamos aprendendo que existem contradições: o que pensamos, o que idealizamos e o que sentimos não corresponde muitas vezes ao que pensam, ao que idealizam e ao que sentem em relação a nós.

Querendo crescer e fazer desabrochar o sonho escondido, ao mesmo tempo que a pressão das pessoas que nos são próximas, (Mais que isso...) a pressão que se instaurou na Sociedade e que ainda persiste, a pressão que faz questão de permanecer embora mais dissimulada... acabamos por nos sentirmos, muitas vezes, sem saída ou tão pouco conscientes de que possa haver alguma, para que possamos ser aquilo que realmente somos e não aquilo que a Sociedade nos transmite ser (Tarefa dificil).

E sabem que mais?! A tarefa poderá ser bem mais simples do que possa parecer... A Sociedade não é mais que a soma de todos nós... Basta que todas nós mudemos a parte que nos diz respeito e aquela em que temos total controlo. Muitas mulheres já o conseguiram fazer: não a mudança da soma global, mas a soma de si mesma! Este terá de ser o ponto de partida.

A dita pressão social, só se apresenta como pressão se nos deixarmos pressionar. Como qualquer fobia: um medo apenas se apresenta como tal enquanto cedermos a ele e não invertermos a representação que temos sobre ele. Tal como com qualquer medo ou receio, a pressão social não deixa de ser uma decisão individual, que reside na existência, ou não, da força de vontade, da afirmação e da expressão voluntária.

Foi esta mudança de perspectiva que um grupo de Mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil levou a cabo, a fim de realizar um protesto a 8 de Março de 1857 em Nova Iorque. Teriam arriscado tudo o que tinham num momento em que a sociedade não lhe conferia qualquer segurança e protecção. Reivindicavam sobre as más condições de trabalho, o excesso de horas de trabalho diárias e os reduzidos salários. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas, pelo que a manifestação ficou por se concretizar.

Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a Mulher ocorreu em Copenhaga, na Dinamarca, dirigida pela Internacional Socialista, onde foi decidido, em homenagem a estas Mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo. Além desta manifestação pela luta dos Direitos Humanos (não é por acaso que não me refiro a Direitos das Mulheres!), muitas outras tiveram lugar e devido às quais milhares de Mulheres perderam as suas vidas.

Quantas mulheres não morrem por não verem os seus direitos humanos defendidos?
Quantas mulheres sofrem de violência ou abusos, sejam eles de orgiem sexual física ou psicológica?
Quantas mulheres não são abusadas sexualmente e assassinadas por soldados que deixam as suas familias para defender a sua pátria?


Quantas mulheres sofrem e morrem devido a distúrbios alimentares, que em muito se deve ao ideal de beleza imposto, que hoje são regidos pelos presentes padrões mas que amanhã serão certamente outros?
Quantas mulheres sofrem com a pressão social a que se deixam ceder?

Quantas mulheres não encontram o seu valor e a sua beleza interior porque a sociedade as ensina a olhar de fora para dentro e não o inverso?

Quantas mulheres não tiveram oportunidade de serem criadas com amor e carinho e que um dia lhes será apontado se não souberem ser mães afectuosas?

Quantas?!?

O meu sincero agradecimento a todas as MULHERES e os HOMENS que lutaram e morreram e aos que continuam a lutar por aquillo que milhares de Mulheres de hoje podem ser.
Continuemos a lutar por aquilo que somos e acreditamos...

Não esquecendo o que significa este dia:





Agradeço as palavras da minha amiga Isabel, que muito contribuiram para que hoje possa partilhar estes pensamentos neste post.

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